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Precificação por valor percebido no B2B

  • Foto do escritor: Tiago Baldin
    Tiago Baldin
  • 28 de jun.
  • 4 min de leitura

Precificação por valor percebido no B2B: por que a maioria das empresas ainda precifica errado


Tem uma pergunta que faço pra qualquer gestor comercial quando começo a trabalhar numa operação nova: Como vocês definem o preço de vocês?


A resposta mais comum que já ouvi, em empresas de tecnologia, indústria, food service, é sempre uma variação da mesma coisa: "A gente olha o custo, coloca a margem e vê se está competitivo com o mercado."


É uma resposta honesta, e é quase sempre a raiz do problema.


O método que todo mundo usa e que deixa dinheiro na mesa


Precificar pelo custo é seguro. Você sabe quanto gastou, coloca o percentual que precisa ganhar e chega num número. Simples e controlável.


O problema é que esse método ignora completamente uma variável que deveria ser a mais importante de todas: o quanto o seu cliente está disposto a pagar.


E não é a mesma coisa.


Já vi empresa colocar preço de R$ 1.000 em algo que o cliente pagaria R$ 1.600 sem piscar. E já vi empresa cobrar R$ 2.000 por algo que o cliente achava que valia R$ 800, e perdia a venda sem entender por quê.


Nos dois casos, o problema não era o produto. Era o desconhecimento do valor percebido pelo cliente.


O que é valor percebido, na prática


Valor percebido não é o que você acha que o seu produto vale. É o que o cliente sente que ganha ao comprar de você, comparado com todas as outras opções que ele tem.


No B2B, isso é ainda mais complexo do que no varejo. O comprador não está comprando pra si, está comprando pra resolver um problema da empresa dele. E o que ele pondera vai muito além do preço: prazo de entrega, suporte técnico, histórico de relacionamento, risco de mudança de fornecedor, impacto na operação, reputação de quem está vendendo.


Quando fui estruturar a operação comercial de uma industria de tecnologia, um dos maiores desafios era exatamente esse: os parceiros revendedores comparavam nosso preço com concorrentes sem considerar nada do que nos diferenciava. Assistência técnica, peças em estoque, marca consolidada, treinamento contínuo, tudo isso tinha valor real pra quem comprava.


Mas ninguém estava comunicando isso de forma sistemática.


Quando passamos a mapear o que cada perfil de cliente valorizava e a treinar o time pra apresentar esses diferenciais antes de qualquer conversa de preço, a dinâmica mudou.


Negociações que antes terminavam em desconto passaram a fechar no preço cheio, porque o cliente entendeu o que estava pagando.

Os três métodos de precificação, e qual você deveria estar usando


Existem três grandes abordagens pra definir preço:


1. Pelo custo: você soma o que gastou e coloca a margem desejada. Simples e controlável, mas ignora o mercado e o cliente.

2. Pela concorrência: você olha o que o mercado pratica e se posiciona em relação a ele. Útil como referência, mas perigoso como único critério, porque você assume que sua estrutura de custo e seu valor entregue são iguais aos do concorrente, e quase nunca são.

3. Pelo valor percebido: você parte do que o cliente está disposto a pagar, com base no valor que enxerga na sua solução, e aí verifica se seus custos permitem operar com margem adequada. 

É o método mais sofisticado, e o que mais gera resultado.

Na prática, o ideal é usar os três de forma combinada. 

Custo define o piso. Concorrência define o contexto. Valor percebido define o teto, e é onde mora a oportunidade.


O sinal de que você está deixando dinheiro na mesa


Tem dois sintomas claros de que uma operação está precificando abaixo do valor percebido:


O primeiro é quando o cliente fecha rápido demais, sem questionar o preço. Se todo mundo aceita sem negociar, provavelmente você está barato demais.


O segundo é quando o time de vendas nunca tenta vender sem desconto. Se o reflexo do vendedor diante de qualquer objeção é reduzir o preço, a operação não aprendeu a vender valor.


Nos dois casos, a empresa está entregando mais do que está cobrando. E margem que não é cobrada não volta.


Como começar a precificar pelo valor percebido no B2B


Não existe fórmula exata, mas existe um caminho:


Entenda o que o cliente valoriza de verdade. Não o que você acha que ele valoriza. Converse com clientes que ficaram e com clientes que foram embora. As razões reais costumam ser diferentes do que o time de vendas reporta internamente.


Passo 2: Quantifique o impacto que você gera. No B2B, valor quase sempre tem um número por trás. Quanto tempo você economiza? Quanto erro você elimina? Quanto custo você reduz? Quando você consegue traduzir seu diferencial em impacto financeiro pro cliente, a conversa de preço muda de patamar. 


Passo 3: Treine o time a apresentar valor antes de falar de preço. Isso parece óbvio, mas na prática, a maioria dos times vai direto pro preço porque é mais fácil e porque é o que o cliente pergunta primeiro. O trabalho do bom vendedor B2B é atrasar a conversa de preço até que o valor já esteja claro.


Passo 4: Segmente sua precificação. Clientes diferentes percebem valores diferentes no que você vende. Uma pequena revenda e uma grande rede de varejo compram a mesma solução com percepções de valor completamente distintas. Preço único pra todo mundo quase sempre significa preço alto pra um e barato demais pra outro.


O que eu aprendi na prática


Nos anos que tenho de operação comercial B2B, em indústria, tecnologia e food service, o padrão que mais se repete é esse:


Empresas que crescem de forma consistente não são as que têm o menor preço. São as que conseguem articular com clareza o valor que entregam, e cobrar por isso.


A guerra de preços é uma armadilha. Quem entra raramente sai com margem. E quem sai primeiro, geralmente, é quem tinha mais clareza sobre o que estava vendendo além do número na proposta.


Quando a operação entende isso, a conversa com o cliente muda. A margem melhora. E o time para de vender pelo menor preço porque aprende que não precisa.


Se você está revisando a estratégia de precificação da sua operação ou quer trocar ideia sobre como aplicar isso no seu contexto específico, me manda uma mensagem. É um assunto que gosto de discutir com profundidade.


 
 
 

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